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Saúde Mental na Música Eletrônica

Nós sabemos que trabalhar na indústria da música eletrônica pode ser muito gratificante e oferece diversas oportunidades, no entanto, pode vir com um conjunto de pressões únicas. Isso inclui longas horas em viagens ou apresentações seguidas, pressão para seguir produzindo, alto estresse, uma maior incidência de abuso de drogas e álcool, isolamento e trabalho inseguro. O isolamento social, somado a paralisação total do setor de eventos, são fatores que potencializam os problemas relacionados a saúde mental de quem trabalha no ramo.

Uma parte considerável da sociedade atual apresenta problemas diretamente relacionados à saúde mental. Para termos noção melhor dessa realidade, uma pesquisa realizada pela USP (Universidade de São Paulo), em março de 2021, reuniu dados coletados em universidades de 11 países, para saber o nível de ansiedade e depressão que as pessoas enfrentam, durante a pandemia. E o Brasil lidera o numero de casos, com níveis de ansiedade em 63%, e depressão em 59%.

Saúde mental em pauta
O estigma entorno da saúde mental diminuiu, com o passar dos anos, este assunto tão delicado, vem deixando de ser um tabu. Gradativamente, esse está sendo colocado sob os holofotes. Uma coisa é fato! Independente do tamanho do artista, do produtor de eventos, do manager, do booker, do tour manager (entre outros), muitos sofrem com o mesmo problema:  a pressão.

Pressão em fazer bem feito, em acompanhar o mercado, em não desapontar o público, contratantes ou artista. E não se culpe por isso. É normal que pressão tome conta do corpo, mas não é saudável se deixar levar por ela.

Saúde mental não é brincadeira, e muitos profissionais da música eletrônica tem começado a perceber isso se sentem confortáveis para compartilhar suas próprias experiencias – que envolve ansiedade, depressão e vícios. Juntamente a isso, novas iniciativas vêm surgindo para auxiliar profissionais do ramo musical a terem melhor qualidade de vida. E vale lembrar que não é motivo de vergonha se sentir sobrecarregado, e também não é motivo de vergonha precisar de ajuda.

A nova realidade que a pandemia trouxe
Atualmente, apesar dos eventos estarem paralisados, a pressão em cima dos DJs – para continuarem na ativa, produzirem, entregarem conteúdo de qualidade – se mantem. E, mesmo produzindo, ainda existem duras críticas em cima dos trabalhos que são feitos, além da falta de incentivo enfrentado por muitos.

A produção de novas tracks e essa adaptação tão rápida à uma nova realidade podem ser desafiadoras para muitas pessoas, gerando ansiedade e insegurança. Tendo isso em vista, em agosto do ano passado, a Pioneer lançou um documentário que explora o impacto global de COVID-19 na cena de música eletrônica.  Com o título “Distant Dancefloors: COVID-19 and the Electronic Music Industry”, ele conta com a participação de grandes nomes como Honey Dijon, Eats Everything, Rebuke, entre outros.

O documentário pode ser assistido a seguir, ou no próprio YouTube.

No entanto, ainda há uma grande necessidade de capacitar as pessoas em toda indústria para apoiar a saúde mental e bem estar de todos os envolvidos- seja ajudando o outro ou a si mesmo. Existem muitos desafios relacionados a saúde mental que ainda precisa ser entendido.

Já passou da hora de quebrar o tabu e fazer com que o tema saúde mental tenha mais ênfase por todos os profissionais envolvidos na indústria da música eletrônica. Apesar de existirem diversos casos em extrema luta para que problemas de saúde no cenário possam ser evitados, e que visivelmente haja uma evolução em relação a casos passados, ainda é preciso dar mais repercussão em torno do assunto.

Entretanto, não há somente um único culpado. Ainda que sejam vitimas a maior parte do tempo, os próprios profissionais tem, também, sua parcela de responsabilidade. É preciso que trate sua saúde como um importante ativo comercial.

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